Discutindo um assunto interessante com amigos que se mudaram de suas cidades para morar na capital paulista (categoria de pessoas que chamarei de “forasteiros”), percebi que muitas impressões e críticas em comum são compartilhadas por pessoas que possuem referências sociais diferentes das paulistanas.
Críticas das mais óbvias tais como o altíssimo custo de vida da cidade a outras tantas mais complexas como a baixíssima qualidade de vida das pessoas que vivem nela, viraram lugar comum nas conversas entre os forasteiros que moram em São Paulo.
Mais uma vez, as referências surgem como grande justificadora do choque cultural. Claro, se alguém possui fortes raízes estabelecidas em uma ótica totalmente diferente da realidade paulistana, torna-se natural o questionamento, a postura crítica, até mesmo como mecanismo de auto defesa, pois o forasteiro que vê suas referências serem destruídas pelo dia-dia em outra cidade enfrenta na maioria das vezes extremo desconforto.
Mas como é óbvio, também existem histórias de forasteiros que conseguiram se realizar na “cidade que nunca para”, o que normalmente se relaciona com o sucesso profissional que tenha conseguido construir nela. Ninguém duvida que o sucesso profissional é uma poderosa fonte de motivação e que com dinheiro no bolso a aceitação das diferenças torna-se bem mais fácil.
No entanto, mesmo nessas situações não são incomuns os casos de pessoas bem sucedidas na capital paulista que optam por sair da cidade.
Dentro dessa lógica de idéias, gostaria de chamar a atenção para uma pesquisa divulgada no começo do ano, mas que curiosamente pareceu causar pouca repercussão nos veículos de comunicação considerando a gravidade da matéria veiculada.
O “Movimento Nossa São Paulo” encomendou uma pesquisa realizada pelo IBOPE, no qual se constatou que 57 por cento dos moradores da capital paulista se mudariam para outra cidade se tivessem oportunidade.
A pesquisa foi divulgada dia 19 de janeiro de 2010 e se encontra comentada no site http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/9956.
Diversos são os motivos apontados por essa expressiva parte da população paulistana para justificar sua insatisfação com a cidade e muitas delas dizem respeito a tudo aquilo que os ditos forasteiros normalmente reclamam: o bem estar e a qualidade de vida.
O site não informa se a pesquisa foi realizada com pessoas de fora que moram em São Paulo ou se com paulistanos natos. Refere-se apenas aos moradores de São Paulo, o que sugere uma amostragem aleatória.
Dentro desse contexto é possível inferir que além de forasteiros insatisfeitos, também existe um grande número de paulistanos reclamando da própria cidade, o que é no mínimo curioso.
Digo isso porque se o paulistano típico, nascido e criado na capital, assenta suas referências na cultura de seu município, ele adere integralmente ao modus vivendi da cidade, por constituir sua própria identidade.
E nesse sentido, torna-se bastante interessante observar que a atual realidade da capital desagrada até mesmo pessoas que sempre moraram nela.
Apesar de tudo, consigo enxergar um ponto positivo. Considerando que sou carioca e moro em São Paulo há quase 12 anos, vejo nessa postura algo que representa uma revolução, pelo menos aos meus olhos.
Somente uma população que não tem medo de expressar sua insatisfação com a cidade em que vive, torna-se capaz de alterar a realidade que a cerca para que se corrija o que desagrada.
Uma das minhas críticas mais severas aos paulistanos em sua maioria, sempre foi sua dominante apatia com relação às coisas que lhes afetam.
O medo, a vergonha de reclamar das coisas mais flagrantes, sempre me chocou desde que cheguei em 1998.
Mas se existem paulistanos descontentes com as condições de vida de sua cidade, o que, diga-se, são muito mais fáceis de serem percebidas pelos forasteiros que nela também vivem, entendo que este fato é um grande passo para que profundas reflexões e mudanças sejam realizadas.
Outra curiosidade que extraio dessas informações diz respeito a pouca publicidade que se deu à matéria, tendo em vista que afeta a maior cidade da América Latina.
Será que não há nada de interessante em se discutir esse assunto? Será que não é válido expor, escancarar mesmo tais informações para que todos possam debater de forma construtiva alguns problemas da cidade, muitas vezes “esquecidos” nos debates políticos?
Dá até pra desconfiar que existe um “Grande Irmão” muito menos glamoroso que o BBB da Globo, enfeitado de bundas bonitas e corpos exuberantes, que sem dúvida se expressam muito melhor quando estão quase pelados do que quando falam.
Este Grande Irmão está relacionado talvez a interesses econômicos que não enxergam com bons olhos o incentivo a uma reflexão crítica, pois só quem não trabalha pode se ocupar com essas coisas, não é verdade?
Imaginem se a imensa massa de paulistanos se vê convidada a refletir criticamente sobre os problemas de suas cidades. Provavelmente a cidade pararia. Isso não pode acontecer. A final, São Paulo é a cidade que nunca para!
por Victor Ribeiro Cardoso de Menezes
sábado, 27 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
A Evolução da Educação
Recentemente recebi esse texto por e-mail.
Concordo que a situação da Educação Brasileira está cada vez pior, consequentemente estamos formando piores formadores de opiniões e uma enorme e ridícula massa de operários escravizados pelo capital e pelos meios de comunicação.
Segue texto (sem edição). O QUE É BOM, PRECISA SER COMPARTILHADO!
Concordo que a situação da Educação Brasileira está cada vez pior, consequentemente estamos formando piores formadores de opiniões e uma enorme e ridícula massa de operários escravizados pelo capital e pelos meios de comunicação.
Segue texto (sem edição). O QUE É BOM, PRECISA SER COMPARTILHADO!
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia... Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.Jean Ricardo Hernandez
Leiam o relato de uma Professora de Matemática:
Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa R$ 0,80 para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar R$ 5,00 de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00.
Qual é o lucro?
3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00
Qual é o lucro?
4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( ) R$ 20,00 ( ) R$ 40,00 ( ) R$ 60,00 ( ) R$ 80,00 ( ) R$ 100,00
5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( ) SIM ( ) NÃO
6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( ) R$ 20,00 ( ) R$ 40,00 ( ) R$ 60,00 ( ) R$ 80,00 ( ) R$ 100,00
7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
Se você é afrodescendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder.
( ) R$ 20,00 ( ) R$ 40,00 ( ) R$ 60,00 ( ) R$ 80,00 ( ) R$ 100,00
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E se um moleque resolve pixar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.
Em 1969 os pais do aluno perguntavam ao "aluno": Que notas são estas???
Em 2009 os pais do aluno perguntam ao "professor": Que notas são estas???
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Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!
Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...
terça-feira, 2 de março de 2010
O tempo e o clima
Ao acordar, percebi que aqueles dias quentes se foram para a chegada de um frio consideravelmente bom. Frio este que me levava além do tempo e espaço para dias passados.
Pensamentos me tomaram horas, pois na viagem que ali fizera não havia vontade de voltar: dias de chuva na piscina, dias "desperdiçados" em frente a TV com pacotes de bolachas e chocolate quente, dias no Ensino Fundamental, reclamando da falta de tempo, sem perceber que assim era feliz.
Enfim, me passavam filmes de pensamentos perdidos não se sabe onde.
Precisei deixá-los de lado pois o relógio estava contra mim. Movimentando seus malditos ponteiros, parecia que gritava para tomar atitudes rápidas e voltar a realidade.
Aqui estou eu, Realidade!
O clima lá fora, continua o mesmo, mas ainda prefiro o clima que encontro aqui dentro. Já o tempo, este criado por convenção humano, inquestiovável ser que nos envelhece, prefiro continuar lutando para a sua não-existência.
Jean Ricardo Hernandez
Pensamentos me tomaram horas, pois na viagem que ali fizera não havia vontade de voltar: dias de chuva na piscina, dias "desperdiçados" em frente a TV com pacotes de bolachas e chocolate quente, dias no Ensino Fundamental, reclamando da falta de tempo, sem perceber que assim era feliz.
Enfim, me passavam filmes de pensamentos perdidos não se sabe onde.
Precisei deixá-los de lado pois o relógio estava contra mim. Movimentando seus malditos ponteiros, parecia que gritava para tomar atitudes rápidas e voltar a realidade.
Aqui estou eu, Realidade!
O clima lá fora, continua o mesmo, mas ainda prefiro o clima que encontro aqui dentro. Já o tempo, este criado por convenção humano, inquestiovável ser que nos envelhece, prefiro continuar lutando para a sua não-existência.
Jean Ricardo Hernandez
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